terça-feira, 21 de maio de 2013

Um Hino Bem Forte

Hoje deixo-vos um tema dos Camerata Mediolanense. Um grupo italiano de neoclássico/darkwave com elementos folk.

Um belíssimo hino a Baco e seus festins.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Solidão Como Forma De Liberdade

"2. The origin of suffering is attachment."
- The Four Noble Truths.

Ser-se solitário não é a mesma coisa do que estar sozinho. Penso que quando estamos na condição de "sozinhos" a melancolia é eminente. O sentimento de inferioridade tende a surgir pois há a sensação de existir rejeição por parte de alguém próximo, por parte da sociedade, etc.

Por sua vez, ser-se solitário é uma escolha. Ser-se solitário por opção não envolve essa desgraça e esses olhares de pena que a população transmite. Ser-se solitário é uma forma de liberdade. Uma forma de dizermos "não" a relações que não nos trazem benefício nenhum. É fazer o que queremos e como queremos, no nosso próprio espaço, sem que haja alguém em cima de nós para aprovar ou desaprovar.

Além disso ser-se solitário não implica estar só, no sentido de não ter ninguém. Continuamos a ter com quem falar. Continuamos a ter a nossa família e amigos. Continuamos a comunicar com a sociedade.

Ora o ponto onde eu queria chegar está relacionado com as relações amorosas. A maioria das pessoas assume que existe a obrigatoriedade em ter-se uma relação amorosa com alguém. Se não estamos envolvidos com outra pessoa somos logo coitadinhos. Falhados no que quer que seja. Uns frustrados e por aí em diante. Um pensamento um tanto limitado pois não tem que ser necessariamente assim.

Uma relação amorosa é um apego a uma pessoa. Envolve o desejo. Logo é uma forma de sofrimento. Tal como os budistas, as pessoas ligadas à via do minimalismo tendem a eliminar o sofrimento das suas vidas. No entanto o que as pode diferenciar dos budistas é o facto de elas verem as relações amorosas como um obstáculo. O romance uma chatice inibidora da exploração mental e espiritual e da progressão do conhecimento do seu próprio ser.

(O isolamento dos monges budistas tem como finalidade o mesmo caminho de exploração e conhecimento acima descrito. Porém não vamos enveredar por aí pois teria que se desenvolver extensamente esta publicação, o que provocaria uma perda de sentido.)

Assim alguns solitários minimalistas não têm interesse no amor. O seu objectivo na vida é outro. O amor torna-se um entretenimento vulgar. Um entrave. Uma distração.

Escolher este caminho requer um espírito forte. Por isso poucos são os que voluntariamente o seguem.

"Loneliness expresses the pain of being alone and solitude expresses the glory of being alone."
 - Paul Tillich

Heranças

Penso que as heranças são um fardo para um minimalista. Se um dos objectivos é reduzir as suas possessões ao essencial, uma herança torna-se automaticamente um obstáculo, enchendo-lhe a vida de novo de coisas supérfluas. Dando-lhe mais encargos e menos liberdade para o que realmente importa. Jogando por terra todos os seus esforços feitos até então.

Quem segue a via da redução pretende livrar-se de coisas e não de as continuar a adquirir. Por isso penso que negaria qualquer herança só pelo alívio que é não acumular mais possessões materiais.

São obstáculos deste género que pretendo evitar. O patamar onde me encontro já é magnificamente estável. Tenho medo da condição de herdeiro.

The Big View

"This website is about philosophy in the widest sense. It includes science, religion, mythology and other fields of thought that are not within the traditional scope of philosophy."

http://www.thebigview.com/

sábado, 18 de maio de 2013

O Plasma Das Formas Taciturnas


Quem
ao encontro morre.
Que se aproxima sem toque.
Quem,
que plana sobre o plateau das cifras,
se aproxima em choque.
Em magníficas piscinas de plasma
que se expandem sobre o corpo
sem temperatura.
Há toda esta repulsa na gravura.
Quem
se aproxima sem toque ao encontro morre.
Ao sopro a areia escorre em declive.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os Maus Actores

Sobre os palcos que me vêm à memória, desfilam artistas de matiné. Esbanjadores de protagonismo. Actores de má qualidade e exagerada convicção. Deixam-me tonto de má disposição.

(O mais triste das coisas tristes: interpretes de música alheia.)

As Jóias Devolutas

Tanta jóia devoluta que não sei se me envenene ou se entre em convulsão. A cidade é um berço de arquitectura em desastre. A sua podridão é visível até para os ratos mutantes.

Entristece-me saber que existem entidades que assim o preferem. Que abandonam voluntariamente os tijolos que lhes pertencem. Devem ter o máximo gosto de ver a sua cidade ficar com o aspecto de coisa apodrecida e velha.

Crime não é só roubar.

O Pó Dos Discos

Por vezes o excesso de albums de baixa qualidade fazem-nos esquecer os albums de topo que temos guardados na prateleira.

Após uma limpeza parcial da minha colecção de música notei que a qualidade da mesma aumentou de modo significante.

A selecção e redução da matéria supérfula é uma bênção.

A Ressaca

O cristianismo é a ressaca prolongada e dolorosa dos festins pagãos.

A Força Do Artefacto

Ambos líamos Baudelaire. Cada livro com a sua maldade. E libertámos qualquer coisa pelo edifício.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Encontros Irregulares.

Por vezes penso na probabilidade do encontro entre uns sapatos de salto alto e uma mala. Tenho uma certa admiração por estes acidentes urbanos.

O lixo é uma fonte de encontros irregulares.

terça-feira, 14 de maio de 2013

"Sei que não vou por aí"

A via é austera. E chegar aqui não foi fácil.

Cresci sempre a ouvir que temos que ter muitos bens. Que temos de ter coisas. Coisas. E mais coisas. Tal como no filme Into The Wild, de Sean Penn, também eu me fartei dessa ideia. De que para sermos felizes e estarmos bem com o mundo precisamos de certos objectos. Se bem que no filme o protagonista levou a coisa ao extremo e esse não é o meu caso.

Então contestei esse pensamento consumista contemporâneo. Renunciei ao excesso na minha vida. Aos poucos tenho-me livrado das coisas que já não significam nada e garanto-vos: é uma libertação deveras gratificante.

Porém é uma um caminho que requer coragem. Pois reduzir a vida ao essencial significa muitas vezes abdicar de coisas com as quais desenvolvemos um sentimento. Mas no fim é uma alegria não perdermos mais tempo com o "pó" que nos acorrenta e distrai. Temos todo o tempo para o que realmente importa nas nossas vidas.